domingo, 27 de julho de 2008

O estatuto do homem - Thiago de Melo

(Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
Santiago do Chile, abril de 1964

sexta-feira, 4 de julho de 2008

One moment, please...


Só um momento

nada mais

Verdades tão suas

Mentiras de todos


O que é real?

Nossa lua não é mais azul

Vermelho carmim

O céu sangra


Ninguém, ninguém

tiraria você de mim

A não ser você

Só você pôde


terça-feira, 1 de julho de 2008

Divagações

Estou com um peso nas costas. Coisas da idade. Tentei mira-me ao espelho, entretanto o reflexo recusou-se a encarar-me a face. Como ousa??? Ele não ousa, as coisas são o que são... ou não.

Hoje não ouvi nada, permaneci surda, cega e alheia. Não... houve o Rodrigo ou Fábio... não lembro mais. A idade... minha memória já não é a mesma. Enfim, Rodrigo ou Fábio, fez alguma bobagem. Dois anos... desta vez eu juro que não fiquei curiosa, e também não perguntei. Espero que ele não abandone os sonhos, a ONG, os projetos... Estava cansada, teria motivado mais, ou dado mais crédito as suas palavras. Mas não... Não voltarei mais.

Hoje sou uma interrogação... Ah, seus olhos são lindos... hahahahha. Tanto faz, eu não gosto de longas viagens mesmo...kkkkk, uma semana é muito tempo. Eu não fico tanto tempo assim. Nunca fiquei. Tenho prazo de validade...rsrsr, e você também.

Nada político ou filosófico... Qual era o nome do livro do unicórnio??? Putz... A comida não estava boa, as paredes eram brancas e amarelas. O cabelo da diretora também. Os quadros do Santana, lindos, queria todos, e também as dobraduras, depois, não recordo mais nada. Teve o leite... não devo tomar mais leite... sabe como é, a idade...